segunda-feira, 24 de junho de 2013

Quem ele é?


Era um João, era um José... Era qualquer um!
Era um Dito, era um Bené... Era só mais um...
Mais um que é o que não quer
Mais um que diz ser quem não é.
Mas ele faz virar o jogo, na descoberta de um mundo novo
Redescobrindo como se faz
Correr na frente, ter sempre mais!

Era um sorriso ilusionista

Era um choro reprimido
Sobrevivia feito artista
Ora feliz, ora sofrido
Jogou pro alto, como bem quis
Fazendo a vida sorrir feliz

...

É um João... É um qualquer.

Meio perdido... Sem saber quem ele é!



terça-feira, 18 de junho de 2013

Chame como quiser



Aposto, sem medo de errar, que estamos vivendo um marco na democracia brasileira. O dia 17 de junho de 2013 entrará, certamente, pra história como a definitiva volta da participação popular nos movimentos em prol de um bem comum. Um grito unificado, mesmo com reivindicações diversas.
Não sou contra o uso de clichês, mas venho aqui criticar um. Durante anos acompanhamos revoltosos, mas passivos, dizendo coisas do tipo “o Brasil não muda porque o povo não se manifesta”. Pois bem, aí estamos, nas ruas, no Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e tantas outras nesse grito aflito de quem não agüenta mais. Não agüenta corrupção, descasos com educação, saúde e transporte, enquanto milhões, bilhões de reais são gastos na produção dos eventos esportivos, os quais eu não sou contra... Mas poderia ser de maneira igual! Nem entrarei no mérito dos vinte centavos, pois acredito que até os mais críticos já entenderam os reais motivos. Falta Brasil para brasileiros, e não para encher os olhos das organizações estrangeiras.
Neste 17 de junho vi nos jovens, nos olhos deles – Alguns “cansados” das pimentas e afins atirados neles há alguns dias – a esperança. Me lembrei de um dia, o desses jovens, sedentos por transformações lotaram sob chuva, em 21 de setembro de 2012 os arredores dos Arcos da Lapa para o último comício do então candidato a prefeito, Marcelo Freixo. Não querendo transformá-lo no herói dos jovens, mas busco na memória uma frase que, ao perceber os movimentos recentes, se tornou emblemática: “Perdendo ou ganhando, a militância não pode parar”. E não parou! Tomou-se novamente o gosto de ver política, discutir política, como há tempos não se via.
Fomos 5 mil... Apanhamos. Fomos 10 mil... Apanhamos. Lutamos, não desistimos, denunciamos, berramos com o gogó juvenil, incansável até nos fazermos ouvidos. Deu certo. A visão da mídia parece estar cada vez mais mudada, a sociedade que antes nos rotulava como vândalos agora dá apoio quase incondicional e ocorre uma maré bonita: Todos agora são a favor das manifestações. Acham legítimas. Isso é bom, jamais reclamarei de quem muda de opinião, exceto de quem a faz apenas para seguir o bloco maior. E mesmo sendo a favor, consegue visualizar que os atos de vandalismo são obra da minoria.
Passamos de 100 mil pessoas soltando a voz juntas, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Alguns olhares fascinados por verem que seus gritos têm força, ecoam, transbordam e transcendem as redes sociais. Os pacíficos, a quem ofereço esse texto, estavam lá. Mesmo com medo, mesmo com os conselhos para não irem, mesmo com máscaras ou camisas protegendo o nariz. Não era Bola Preta, nem Monobloco – que eu adoro! – nem marcha promovida pelo governo para lutar por algo que não vemos a cor. Era um protesto apartidário, de quem luta pelo que acredita. Infelizmente, uma parte pequena desses Cem Mil tinha outro propósito. Além de protestar, guerrear. Feio. Uma pequena mancha em um movimento que está entrando para a história. Não por pretensão, é provável que nossos netos vejam isso nos livros didáticos de história.

Depois de duas décadas, voltamos para as ruas. Após esse intenso sono, os sonhos foram tomando corpo, as agruras serviram como fermento nesse bolo de insatisfações. Medo, angústia, euforia e orgulho, misturados no liquidificador das emoções. Manifestantes, rebeldes (com causa sim, senhor!) ou um bando de jovens sonhadores. Chame como quiser... Mas nos deixe viver esse sonho de “ser possível”. 

sábado, 8 de junho de 2013

Talvez...





Muitas pessoas se perguntam o porquê de tantos “talvez” nas frases e falas. Sem saber essa e outras respostas para as perguntas da vida, resolvi parar para refletir.
Passo por constantes processos de reconhecimento! Mergulho dentro de mim, em casa sozinho, ou na rua com várias outras pessoas... E também me perco, pois nunca sei por onde entrei! Consigo parar dez segundos do meu dia para me centralizar, voltar ao eixo, responder por mim, sempre pensando um milhão de vezes antes de qualquer ação ou resposta. Daí, passei a me conhecer melhor e, e entender o que muitas pessoas procuram saber e nem mesmo eu sabia explicar.
Essa série de “talvez” que usamos pode ser reflexo do nosso eu inconstante, mutável, inconsistente e indeciso. Por sempre pensar muito, quase nunca temos a certeza absoluta assim, de primeira! Talvez a certeza surja daqui a alguns instantes, vocês aguardam? Se sim, obrigado, agradeço. Se não, estão certos... A vida também não espera. O emprego não espera eu pensar mais do que dez minutos para responder um e-mail. O chefe não espera mais de dez minutos até eu achar um arquivo, perdido nas milhões de pastas do disco rígido do computador... A vida não há de esperar muito tempo até que eu absorva tudo, produza uma informação e, sem “talvez”, ter certeza de algo.
Em contrapartida, não há peso tão grande em frear na hora de falar. Um “talvez” lhe exime da certeza infundada; faz-lhe menos firme, porém, menos errante; pode sugerir apenas uma tentativa de fazer, cavando um sorriso de aprovação; faz-se um elogio velado usando um “talvez”. É como se precisasse de uma carta de segurança, ou um ponto de restauração pra onde se pode voltar ao perceber o primeiro passa em falso. É como um andar para frente em fase de teste: o primeiro erro é gratuito! É como o ponto de saque, que só serve para definir o iniciador da partida. É como um jogo-treino, onde se pode errar.
É claro e consciente que não é digno usar desse subterfúgio a vida inteira, como quem se esconde atrás de um arbusto esperando alguém cair – ou não – para saber se é possível seguir! Se expor também faz parte do jogo. Colocar seu ponto de vista sob a ótica do momento vai ser necessário em alguns (e em vários) momentos da vida. Uso muito o talvez. De brincadeira, como quem sugere a dúvida, como quem deixa no ar o mistério, ironizando a verdade, impondo dois lados. Mas sei quando devo ter certezas. E talvez já seja esse o momento!
Nada me parece simples a primeira vista (nem mesmo esse texto cheio de idéias opostas), mas é só o medo de errar. Com a cabeça no lugar, idéias em ordem e foco, eu consigo abandonar meus queridos “talvezes” e ir em frente. Cambaleando ou não, a vida seguiu e eu não fiquei para trás. Disso eu tenho certeza! 


                                Leonardo Pierre
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Talvez eu mude...