sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cimento fresco













- Oi.
- Oi...
- O que você está fazendo?
- Estava, na verdade...
- Como assim?
- Estava me curando de você. Do vício de você. Da vontade de saber onde você está, com quem e fazendo o que... Mas aí você reapareceu, de repente,  derrubando o muro que eu criei pra me proteger, com cimento ainda fresco.
- Nossa, desculpa o incômodo.
- Agora?  Fica né! Me ajuda a terminar de destruir o muro?

Saudades, senhor










     O Amor? Conheço esse moço... Algumas vezes veio numa visita rápida; Noutras, até chegou a dormir por aqui. Estranhamente, criamos um laço de amizade, com papos demorados, entrosados, ideias em comum. O Amor é bacana! Bebemos juntos, saímos para dançar. Outras vezes, me Levou a lugares incríveis sem sairmos do lugar

     Mas anda meio sumido... Sinto que ele está aqui perto, talvez na vizinhança. Mas aqui em casa ele não vem há tempos. Se alguém o vir, por favor, avise que o prato dele está esfriando. Podemos jogar um baralhinho, beber um vinho. Se ele estiver magoado comigo, podemos conversar e nos entender. Ele precisa me explicar o que eu fiz.

     Saudade dele, esse sapeca...

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O das ruas


Tava lá na esquina
Olhando para o nada
Nada, realmente, havia
e ele fez-se do nada
Pois nada era tudo o que tinha

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Seu pouso










Passarinhos passarão
Por aqui gorjearão
Mas vão procurar
Outros Flamboyants para pousar
Porque este ninho
Embora esteja vazio
Será sempre o seu lugar

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Cacos













Pegue a pá, uma vassoura e junte os cacos. 
Pode se dar o trabalho de tentar colar, mas quantas vezes você já fez isso? Porque não tentar se refazer? Reinventar-se?
Cacos todos temos e sempre teremos! Sempre nos espatifaremos de cara no chão na próxima esquina, mesmo que a esquina não esteja tão próxima. O tombo as vezes é pequeno, caso não tiver dado tempo de subir tanto (comemore, nesse caso!). Acostume-se, por mais cruel que seja essa realidade, com os tombos. Aproveite que "merthiolate" não arde mais, faça um curativo e volte a andar. Mas se quebrar, por favor: Analise se vale a pena fazer reparos emergenciais, e tornar a ser a mesma pessoa outra vez. Não se culpe por se cansar de quem você é! Insano conselho, mas faz parte essa mudança de roupagem.

Esse processo leva mais tempo. Pede um período de auto-avaliação. Pede uma certa abdicação... Mas seu retorno, acredite, será 100%! 
Mas caso tenha se acostumado a ser apenas 50%, 60% ou 70% do que pode ser, aconselho que pegue a pá, uma vassoura, uma cola e remonte os cacos... Mas tenha conhecimento do prazo de validade.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Desencontro










Sem a facilidade de encontrar por aí
Um amor que pudesse chamar de verdade
Nos perdemos
Vaguei pela cidade
Num batuque, sob os Arcos
Ela, na orla olhando os barcos
Ficou por lá, esperando alguém.
Alguém que até hoje
Não sabe se vem. 

A gente se vê...

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Meu reflexo III










Eu minto sempre
E a principal vítima é meu espelho
Quando me percebo vivo
São!
As vezes esqueço que vivo
Perco tempo apenas existindo
Arrastando-me
Empurrando-me aos precipícios
Acordo e, de repente, sei voar
Insano!
Olho de volta para o espelho
Meu reflexo devolve a ousadia
Sorri para dentro de mim
Através dos meus olhos
Invade-me a alma
E minhas certezas são todas reviradas
Revistadas
Postas para fora
E eu me limpo.
Meu reflexo me varre
Mostra-me a verdade
O espelho se quebra e se refaz
E o reflexo me diz:
"Esse é o novo você...
Bom dia, bom trabalho!"
E eu saio.

Ela










No início,
Seu medo era ser deixada.
Histórico incrível de rejeições
Achava impossível suportar a próxima.
E a próxima chegava.
Ela relutava, se iludia
Amava e se perdia.
Ao olhar para o lado, estava outra vez sozinha
Avançou duas casas. Eles, uma só.
No fim,
Acostumou-se
E aí, foi
Vez ou outra.
Vez em quando.
Vez em sempre.
Sozinha.

Testagem













Deitou-se com vários
Assim, por experimentação
Deixou que a usassem
Pensaram que a usariam
Ela quem os usava
Testava, sentia,
Roubava-lhes a alma
Deixava-os fracos
Entregues, sem sangue
Sem ar
Depois mandava-os embora
Pois até agora:
Com alguns, um beijo bom
e apenas;
Com outros, um sexo bom
E apenas.
Nenhum, porém,
Abraçou-a de modo satisfatório
Na hora de dormir
E no fim de tudo
Isso é tudo que ela quer

domingo, 10 de julho de 2016

Além da capa


Pronto, vou revelar:
Usei aparelho!
Tinha um sorriso bacana, mas um dente torto para dentro
Daqueles encavalados
Nas fotos, algumas, parecia não ter dente
De tão para trás tal dente estar
Mas sempre fui assim
Uma alegria que, até, atrai
Uma simpatia que, até, faz se aproximarem
Portanto...
Sou mais que esse sorriso que você diz ser lindo
Fui educado de uma forma linda
Com amor que até hoje entrego a todos

O encantamento com o sorriso é passageiro
Enjoa, com o tempo
Torna-se natural, normal, e as vezes banal 
Então,
Se não souber olhar para dentro de mim
Meu sorriso só vai te fazer feliz à primeira vista
Talvez até à segunda, terceira...
Mas o que eu tenho aqui dentro
Se souber enxergar
É contínuo...
Mesmo não sendo eterno.

sábado, 9 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Control L












Sei lá mais o que eu quero
Se o que tanto quis ainda tem valia
Já nem me lembro mesmo do que queria
Nem do que gostei um dia
Nem sei em qual esquina da vida me perdi
Porque este aqui
Claramente
Está longe de ser eu

Caneca











Ei, você!
Falta muito pra chegar?
Eu sei que não me prometeu nada
Tão pouco me conhece
Já passaram tantos corações por aqui
Mas o seu... 
Ah, você!
Por onde anda?
Bem, pra lhe esperar fiz um café!
Se preferir, cerveja na geladeira
Pinga no balcão, bolo no fogão
Tem feijão fresco também
Sempre me virei bem
Mas ao chegar
Traga esse amor quentinho
Pra transbordar minha caneca...

Que há tempos anda pela metade.