quinta-feira, 13 de julho de 2017

O que é o presente?

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O que é o presente se não um "sei-la-o-que" na velocidade da luz?
Um segundo! É o máximo que o presente é!
A primeira frase é passado... O começo do dia, é passado.
O "ainda há pouco", é passado igual...
Por isso vivemos nostálgicos. Passados.
Vivemos no passado
O recente ou o distante
Tudo é passado!
O "agora" mal nasceu e morreu sem agonizar
Precoce como o coito de um coelho
Veloz como um cometa
Curto como um piscar dos olhos que não viram metade dos "agoras" deste dia
Quantos "agoras" não vivemos?
Só temos dois tempos: O passado e o futuro
Ou seja, não temos tempo de nada
O futuro é já.
E já, já é passado

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Viagem com Deus

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     De Botafogo, que não é nada além de um bairro charmoso, à Gávea, do maravilhoso time de Márcio Araújo, calcula-se em média  40 minutos de ônibus. 30, quando o Jardim Botânico está sorrindo ou em "não enchente" (daquele teste no qual passamos - uhul, prefeito!) .
     Hoje eu vinha sonolento como de costume, cansado, aquela cara de sofrido, sexta-feira, etc, e coisa e tal. Fechei os olhos para a sonequinha de sempre e ignorando completamente o fato de não estar sozinho disse:
     - Ah Deus, que o Senhor me acorde no ponto certo...
     - Eu te acordo!
     Pense no frio que eu senti na espinha, achando que Deus tinha mesmo me respondido. Ou que eu já estivesse no céu. Ou sei lá o que eu consegui pensar naquele pentelhésimo de segundo. Tive até medo de abrir os olhos... Nunca uma resposta de Deus foi tão rápida!
     Tomei coragem e abri os olhos. Um senhor, muito simpático, me olhava com o sorriso de quem é botafoguense e viu seu time ganhar na noite de ontem.

     Agradeci, afinal. E ele (Deus botafoguense, ou qualquer ser em forma humana) me acordou no Jóckey Club da Gávea. 

Prenúncio de um maravilhoso dia. :D

segunda-feira, 19 de junho de 2017

sobre a morte

Que me doa, a morte, quem sabe um dia
E que eu não tema a dor que me acometerá
O valente que não fui em vida
Não o finja na hora da partida
Que a ferida se abra pra não mais sarar
Estarei pronto, como estou Agora
Uma pílula por dia pra me preparar
Não há apreço por essa estadia
Este corpo onde minh'alma habita
Foi só um trem encarnado a me carregar
Sou então a alma que vaga
Nas vagas horas de existência carnal
Que não doa a dor da morte em vida
Pra que a vida em morte possa se eternizar

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Rio



Eu choro, meus amigos
Precisamente todo dia
De saudade dos amores
De mágoa ou de alegria
De tristeza com os fatos da periferia
Com os textos nos muros antigos
Com contos e poesia
Com música antiga
Sua letra e sua melodia
Renovando dia após dia
Os rios que moram em mim
Pra que as lágrimas que inundam os olhos
De toda emoção sem fim
Sejam sempre um motivo nobre
Para eu permitir cair

terça-feira, 30 de maio de 2017

Cansaço


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No meio da multidão
Com transeuntes comuns
cada qual com seus problemas
Ele deixou que embaçassem os olhos
Molhou o rosto, olhar ao longe
Sem secar e sem pudor
Abraçou um estranho
Caiu a fortaleza
Caiu a bravura
A armadura
Todo o peso...
Melodias diretas em seus ouvidos
Embalavam a cena

- Mas o que houve?
- Deve ser cansaço. Obrigado. Desculpa!

Secou o rosto
Limpou os olhos
Trocou a música
Dançou na praça
Se despediu de dois litros de cansaço
Mas sabe que seu cansaço é um oceano inteiro

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Sobre as manipulações...


- O que você vai fazer amanhã?
- Além de acordar, nada planejado.
- E hoje, antes de dormir?
- Pensar se vale a pena acordar amanhã.
- Nossa... Você não faz planos?
- Sim... Mas entre dormir e acordar, todos eles são modificados ao prazer do Criador.
- Hum...

Escondido



Você ainda pode vir
Ainda estou aqui calado
Rouco de não falar
Sufocado pelo silêncio que inventei
A repressão que imaginei
Justificando todo medo de berrar

Se ainda quiser, pode chegar
Na mesma rua, na mesma casa
Ainda é o mesmo lugar
Que a covardia me aprisionou
Onde os pés não flutuaram
E as asas de criança
Pela metade me cortaram

Tudo bem, a culpa é minha
Tudo bem, tudo bem

Mas se puder, venha!
Talvez eu esteja precisando
Fingindo florecer
Evitando a explicação
Do que não soube entender

domingo, 21 de maio de 2017

parênteses - 1

Sou apaixonado. Estou assim
Pelos chãos do meu passado
E toda estrada percorrida sem fim
Pelos parênteses abertos
Os quais não consigo fechar
Dos amores, uma âncora
Mais que lembrança, um peso
Que me afunda e afunda meu peito
Dói. Sangra. Fere ardentemente
O passado mora lá...
Mas tira férias em meu presente

terça-feira, 25 de abril de 2017

Coisa



Já foi substantivo para objetos
Cuja identificação era impossibilitada por algum motivo
Nomeando algo cujo nome não era sabido...
Virou verbo destinado às ações cujo infinitivo fora esquecido
E então, "coisar" virou um hábito comum
Para qualquer...coisa!
Hoje, além de substantivo e verbo
A "coisificação" toda virou adjetivo.
Qualificando algo que nenhum vocábulo
é capaz de compreender
Assim estamos, todos nós..
Ficando um pouco "coisados"... "Coisudos"


terça-feira, 21 de março de 2017

À procura, à espera...

 












      Ela, àquela altura, já sabia o que queria. Mas quando muito se quer, muito se busca, e por consequência, se perde também. Confunde os quereres com as reais necessidades; a escassês de encontros se sobrepõe aos resultados positivos das buscas...
      Foi assim que ela percebeu a falta que fazia o amor. Já há um tempo sozinha, havia um vazio que não tinha outra explicação. Cheia de amigos, não eram eles capazes de preenchê-la. Dinheiro - pois bem, este sempre fez falta mesmo... Claro. Era mesmo o amor. O utópico! O dos sonhos... Alguém que dividisse as vitórias e as angústias. Alguém que a fizesse novamente tirar os pés do chão e que, com certeza,  bradasse: É ESSE!
      Identificando, assim, as necessidades, a princípio quis procurar. Aplicativos de relacionamento; Conhecimentos aleatórios em redes sociais; conversas vazias com antigos pretendentes; novas experiências... Tudo era em vão. Nem ali, nem em lugares óbvios. Não estavam o tal amor.
      Cansada de garimpar em caminhos tortos, passou a acreditar que Deus reservava um plano melhor para ela. Deus, confundido as vezes com "o acaso", a fez crer que quando tivesse que acontecer, aconteceria em qualquer lugar. Pegava sempre os mesmos transportes, nos mesmos horários. Consequentemente, encontrava quase sempre as mesmas pessoas. Mudou de estratégia, alterando seu trajeto até o trabalho. Outro metrô, outro trem, ônibus em outro ponto, caminhada por outra rua... Percebeu assim, que querendo parecer natural e à espera, estava provocando situações, configurando a tal espera num tipo de busca...
      Até hoje, ainda não encontrou o amor. Milton Nascimento, em uma de suas canções, diz (ainda que não seja sobre o amor): "pode estar aqui do lado, bem mais perto que pensamos...". Talvez amanhã. No trem, no banco, na fila... Talvez sem pressa. Quem sabe nem aconteça.
     Mas ela, ainda espera.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Caminhada













No caminho caminhado
Pelo meu pé caminhador
Descalço, e já com calo,
Deixei um cadin de flor

Em sorriso e em abraço
Quem perdeu, se encontrou
E no caminho caminhado
Tendo alguém sempre do lado
Foi feliz quando chorou

Enganei a dor e a morte
Ressurgi e emergi
Quando achei que fosse sorte
Era Deus a me sorrir

O caminho caminhado
Inda sequer está findado
Mas já fiz tanto na estrada
Tanto atalho, tanta entrada
Que nem ouso reclamar
Quando vez por outra - ou sempre
Encontro-me com azar

Se o caminho teve amor
Teve sorte, teve dor
Teve espinho, Teve flor
Até compensa o cansaço
Do meu pé caminhador

Escolha

Na premissa juvenil
carregava a confiança
de que ser tão viril
me daria a esperança
de ser duplamente feliz

Mas segue a vida
e percebe
que sem saída
rompe-se, fere-se,
e a felicidade lhe foge desde a raiz!