segunda-feira, 29 de julho de 2013

Parte de mim




O que me invade ou o que eu deixo entrar, o que se apossa ou ao que eu me entrego: tudo é parte de mim! O que eu rejeito ou o que chega sem pedir, o que eu faço ou o que fazem por mim: é tudo entrega, e é parte de mim! O que me joga ou o meu ato impulsivo, quando me jogam ou quando eu pulo: é tudo desistência, e é parte de mim! O que eu luto ou o que venço fácil, o que eu perco, mas não me entrego fácil: é tudo resistência, e é a parte de mim que eu procuro.

Essa busca pelo ser inatingível, e, quando atingido não abatido, é constante. E deveria ser incessante. Resistir, mesmo diante das adversidades deve ser ensinado em casa, na escola... Pois com a vida, não tem estágio! Do sair do colo da mãe ao aprender a tomar banho sozinho estamos ainda protegidos, apesar de acharmos que não. Começamos a trabalhar e um mundo inteiro se abre para nós, na mesma proporção que esse mundo inteiro cai sobre nós. E exige que sejamos firmes, pois por mais clichê que seja: só os fortes “sobrevivem”. E os fracos que ficam apenas ficam. Estagnados, vendo a banda do Chico passar, mas sem o lirismo da canção. É como se a resistência fosse “o aplicativo a ser baixado na sua alma”, para um melhor aproveitamento da máquina.

A desistência no geral não é sinal de fraqueza. Muitas vezes é demonstração de ter prioridades, ou de ter sensibilidade e sabedoria de saber o momento de agir. E a desistência também é uma ação. É preciso distinguir esses momentos para dosar e não desistir de tudo, mas também não resistir a tudo. O desejável bom senso tem sua utilidade.

Pensar demais e ter medo disso: isso também é parte de mim!

                                  Leonardo Pierre

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Força!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ah, o Sol!


Era uma vez...
Na verdade, é sempre, toda vez! Lá está o Sol, lindo que só. Despertando os pássaros, reluzindo por entre as nuvens, iluminando o solo onde toca com seus raios.
É amigo dos homens, do mar, da caminhada matinal, dos idosos que se exercitam cedinho, dos atletas que se perdem e se acham pelas árvores da cidade. Para as crianças, uma eterna criança... Sempre sorrindo nos desenhos infantis, com seus raios gigantes. Para os estudiosos, uma enorme bola de fogo, por vezes explode! Mas é o Sol. Sempre lá!
Às vezes some, mas ainda assim brilha. Esconde-se nas nuvens escuras e pesadas, confunde o tempo, engana o relógio e ilude o olhar. Da Lua, eterno enamorado, mas poucas vezes se tocam, num amor quase impossível. A Lua beija o mar, segue os jovens da balada, acompanha os casais à beira-mar, encanta os solitários apaixonados pela vida e desperta o ciúme do Sol. Mas ele tem outras luas... A nossa Lua só tem a nós, e de tão apaixonada pela Terra, as vezes invade nosso céu em plena luz do dia, se fazendo perceber sutilmente... Não ofusca o Sol, pois sabe discretamente seu lugar.
Ah, o Sol! Dourador de corpos, aquecedor do tempo, vulcão em intensa e constante erupção. Transmite energia, contagia. Há quem não goste e há quem não o queira longe. Mas inegavelmente nos proporciona um dos mais lindos espetáculos do mundo. Mais apaixonante que seu amor pela Lua, é o seu beijo nos morros cariocas. Para Chico Buarque, “o poente na espinha das tuas montanhas quase arromba a retina de quem vê”. Ele tem razão! O pôr do Sol é tão lindo que merece aplausos. Reconhecimento e agradecimento pelo dia. Enquanto se despede de nós para iluminar o outro lado do mundo, nos ensina a lição de que tudo precisa chegar ao fim, por melhor que seja. É assim que o novo acontece belo e revigorante... Como um novo dia. Nos mostra também a noção da generosidade ao ceder o espaço do céu para a Lua.
As estrelas na noite nos servem como anúncios... Ao vê-las, recebemos a mensagem que o grande Sol surgirá. Fazemos planos e traçamos paralelos. Adoramos a sombra fresca, mas devemos reconhecer o poder do Sol. Ele é mais que um emissor de calor: é a magnífica simbologia do renascimento, da esperança, da vida...

Ah, a vida...

                                              Leonardo Pierre
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"Luz do sol... que a folha traga e traduz"

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Quem ele é?


Era um João, era um José... Era qualquer um!
Era um Dito, era um Bené... Era só mais um...
Mais um que é o que não quer
Mais um que diz ser quem não é.
Mas ele faz virar o jogo, na descoberta de um mundo novo
Redescobrindo como se faz
Correr na frente, ter sempre mais!

Era um sorriso ilusionista

Era um choro reprimido
Sobrevivia feito artista
Ora feliz, ora sofrido
Jogou pro alto, como bem quis
Fazendo a vida sorrir feliz

...

É um João... É um qualquer.

Meio perdido... Sem saber quem ele é!



terça-feira, 18 de junho de 2013

Chame como quiser



Aposto, sem medo de errar, que estamos vivendo um marco na democracia brasileira. O dia 17 de junho de 2013 entrará, certamente, pra história como a definitiva volta da participação popular nos movimentos em prol de um bem comum. Um grito unificado, mesmo com reivindicações diversas.
Não sou contra o uso de clichês, mas venho aqui criticar um. Durante anos acompanhamos revoltosos, mas passivos, dizendo coisas do tipo “o Brasil não muda porque o povo não se manifesta”. Pois bem, aí estamos, nas ruas, no Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e tantas outras nesse grito aflito de quem não agüenta mais. Não agüenta corrupção, descasos com educação, saúde e transporte, enquanto milhões, bilhões de reais são gastos na produção dos eventos esportivos, os quais eu não sou contra... Mas poderia ser de maneira igual! Nem entrarei no mérito dos vinte centavos, pois acredito que até os mais críticos já entenderam os reais motivos. Falta Brasil para brasileiros, e não para encher os olhos das organizações estrangeiras.
Neste 17 de junho vi nos jovens, nos olhos deles – Alguns “cansados” das pimentas e afins atirados neles há alguns dias – a esperança. Me lembrei de um dia, o desses jovens, sedentos por transformações lotaram sob chuva, em 21 de setembro de 2012 os arredores dos Arcos da Lapa para o último comício do então candidato a prefeito, Marcelo Freixo. Não querendo transformá-lo no herói dos jovens, mas busco na memória uma frase que, ao perceber os movimentos recentes, se tornou emblemática: “Perdendo ou ganhando, a militância não pode parar”. E não parou! Tomou-se novamente o gosto de ver política, discutir política, como há tempos não se via.
Fomos 5 mil... Apanhamos. Fomos 10 mil... Apanhamos. Lutamos, não desistimos, denunciamos, berramos com o gogó juvenil, incansável até nos fazermos ouvidos. Deu certo. A visão da mídia parece estar cada vez mais mudada, a sociedade que antes nos rotulava como vândalos agora dá apoio quase incondicional e ocorre uma maré bonita: Todos agora são a favor das manifestações. Acham legítimas. Isso é bom, jamais reclamarei de quem muda de opinião, exceto de quem a faz apenas para seguir o bloco maior. E mesmo sendo a favor, consegue visualizar que os atos de vandalismo são obra da minoria.
Passamos de 100 mil pessoas soltando a voz juntas, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Alguns olhares fascinados por verem que seus gritos têm força, ecoam, transbordam e transcendem as redes sociais. Os pacíficos, a quem ofereço esse texto, estavam lá. Mesmo com medo, mesmo com os conselhos para não irem, mesmo com máscaras ou camisas protegendo o nariz. Não era Bola Preta, nem Monobloco – que eu adoro! – nem marcha promovida pelo governo para lutar por algo que não vemos a cor. Era um protesto apartidário, de quem luta pelo que acredita. Infelizmente, uma parte pequena desses Cem Mil tinha outro propósito. Além de protestar, guerrear. Feio. Uma pequena mancha em um movimento que está entrando para a história. Não por pretensão, é provável que nossos netos vejam isso nos livros didáticos de história.

Depois de duas décadas, voltamos para as ruas. Após esse intenso sono, os sonhos foram tomando corpo, as agruras serviram como fermento nesse bolo de insatisfações. Medo, angústia, euforia e orgulho, misturados no liquidificador das emoções. Manifestantes, rebeldes (com causa sim, senhor!) ou um bando de jovens sonhadores. Chame como quiser... Mas nos deixe viver esse sonho de “ser possível”. 

sábado, 8 de junho de 2013

Talvez...





Muitas pessoas se perguntam o porquê de tantos “talvez” nas frases e falas. Sem saber essa e outras respostas para as perguntas da vida, resolvi parar para refletir.
Passo por constantes processos de reconhecimento! Mergulho dentro de mim, em casa sozinho, ou na rua com várias outras pessoas... E também me perco, pois nunca sei por onde entrei! Consigo parar dez segundos do meu dia para me centralizar, voltar ao eixo, responder por mim, sempre pensando um milhão de vezes antes de qualquer ação ou resposta. Daí, passei a me conhecer melhor e, e entender o que muitas pessoas procuram saber e nem mesmo eu sabia explicar.
Essa série de “talvez” que usamos pode ser reflexo do nosso eu inconstante, mutável, inconsistente e indeciso. Por sempre pensar muito, quase nunca temos a certeza absoluta assim, de primeira! Talvez a certeza surja daqui a alguns instantes, vocês aguardam? Se sim, obrigado, agradeço. Se não, estão certos... A vida também não espera. O emprego não espera eu pensar mais do que dez minutos para responder um e-mail. O chefe não espera mais de dez minutos até eu achar um arquivo, perdido nas milhões de pastas do disco rígido do computador... A vida não há de esperar muito tempo até que eu absorva tudo, produza uma informação e, sem “talvez”, ter certeza de algo.
Em contrapartida, não há peso tão grande em frear na hora de falar. Um “talvez” lhe exime da certeza infundada; faz-lhe menos firme, porém, menos errante; pode sugerir apenas uma tentativa de fazer, cavando um sorriso de aprovação; faz-se um elogio velado usando um “talvez”. É como se precisasse de uma carta de segurança, ou um ponto de restauração pra onde se pode voltar ao perceber o primeiro passa em falso. É como um andar para frente em fase de teste: o primeiro erro é gratuito! É como o ponto de saque, que só serve para definir o iniciador da partida. É como um jogo-treino, onde se pode errar.
É claro e consciente que não é digno usar desse subterfúgio a vida inteira, como quem se esconde atrás de um arbusto esperando alguém cair – ou não – para saber se é possível seguir! Se expor também faz parte do jogo. Colocar seu ponto de vista sob a ótica do momento vai ser necessário em alguns (e em vários) momentos da vida. Uso muito o talvez. De brincadeira, como quem sugere a dúvida, como quem deixa no ar o mistério, ironizando a verdade, impondo dois lados. Mas sei quando devo ter certezas. E talvez já seja esse o momento!
Nada me parece simples a primeira vista (nem mesmo esse texto cheio de idéias opostas), mas é só o medo de errar. Com a cabeça no lugar, idéias em ordem e foco, eu consigo abandonar meus queridos “talvezes” e ir em frente. Cambaleando ou não, a vida seguiu e eu não fiquei para trás. Disso eu tenho certeza! 


                                Leonardo Pierre
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Talvez eu mude...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Canto da Chuva



Fiquei em silêncio... Deixei a chuva falar. Não me incomodava naquele momento seus possíveis estragos, os vários transtornos e toda a sua demanda caótica! Para mim, mais pareciam as letras de Chico e Djavan, as melodias do Tom, as vozes de Elis e Bethânia, a sutileza de Nara...
Soprava cantos suaves no início da madrugada, como quem invade sorrateiramente pelas brechas das portas. Não se exaltava, nem assustava. Era doce, como uma poesia recitada em tom grave baixo.
Eu permanecia em silêncio para contemplar cada nota daquele concerto maravilhoso. Ela não pedia palmas, nem ovações. Desejava apenas passar sua mensagem.
Não mais sozinho, ela me acompanhou até eu pegar no sono, entoando seus cânticos de ninar, de forma inédita, capazes de  abrandar os selvagens e os inquietos.
Dormi e sonhei. Como há tempos não sonhava. Não com o sol brilhando, mas com a chuva que provavelmente quis me fazer companhia durante toda a noite...
Ao acordar, vi o chão ainda molhado, confirmando minha suspeita de sua presença. Havia sol, ainda fraco. De certo tímido, depois de um espetáculo, como jamais visto antes em toda a natureza.
Se afastando do sol, lá estava a última nuvem carregando suas - e minhas - últimas vozes de chuva. Contentei-me, então, com o que mais se assemelhava à elas: as letras de Chico e Djavan, as melodias do Tom,  as vozes de Elis...

                        Leonardo Pierre

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E ela canta, canta, canta...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Galeria de Blogs divulgando o MLP

Diretório de Blogs

No fim da Noite



Hoje fui sombra, amanhã não mais...

Com o novo sol que as estrelas prometem, há de surgir também uma nova vida iluminada dentro de mim.

Hoje fui sobra, amanhã não mais...

Com as boas promessas de renascimento, há de surgir grupo de seres afortunados onde eu possa me inserir.

Hoje fui rascunho, amanhã não mais...

Com os novos despertares, outros olhares farão de mim um desenho completo, repleto de cores. Se não, um risco bem feito, próximo ao que será a arte final.

Hoje fui cego, amanhã não mais...

A um palmo de mim sempre estiveram os óculos de uma nova vida, possibilitando a visão perfeita de tudo o que eu quis enxergar. Ou do que minha vista encoberta de nuvens preferiu não ver.

Hoje fui dia, tarde e noite... E amanhã também serei! 

Com cada nova promessa, serei tudo o que sou com um pouco mais de alma. Se as promessas não se cumprirem, eu serei o que se chama “mais do mesmo”.

Mas serei sempre esse, sem deixar de agregar o que melhor convir para o momento...                                                           
                                                                            Leonardo Pierre

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Há Lua...




E de repente a Lua desceu mais cedo
Pra brilhar de pertinho
Resolveu me acompanhar
Achei normal,
Afinal,
Estava mesmo um tanto só!
Para guiar meus caminhos, firmeza,
Ali eu tive certeza,
Que ela iria me ajudar
Fez-se um chão de estrelas, vermelhas
Formando a esteira onde eu iria pisar...
Varamos a noite, dançamos na rua
Contamos histórias pra cidade domir
Eu me apaixonava, e ela anunciava:
 “Restam poucas horas até eu me despedir”
Aí a Lua, que descera mais cedo,
Que me tirou os medos, me pedia perdão
Se empolgou na surpresa, beleza,
Mas enchera meu peito dessa doce ilusão
Para não deixar-me infeliz, me jurou
Que voltaria às noites para andar comigo
Enquanto amanhecia, dizia
Que era o Sol quem seria o meu grande amigo...
... Até anoitecer!
E a gente brincava, Ele me esquentava
Sentia ciúmes se Lua vinha me ver
Nos dias de chuva era tão discreto
Brilhava em silencio sem eu perceber

                                     Leonardo Pierre

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E eu segui amando a Lua, em silêncio. Sem desagradar o amigo Sol...

                 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Fortaleza



E passa o tempo e a gente fica sem coragem
E perde tempo alimentando a apatia
E passo a passo tudo muda de contexto
E a gente vai se acostumando à covardia..
Mas gira o mundo, e a gente esquece dos perigos
E anda de noite nas calçadas tenebrosas
disfarça os medos, ignora os inimigos
Transforma a vida num eterno mar de rosas
E se escondendo na própria fraqueza
Enriquecendo-se de pedras de castelos
constrói-se as próprias fortalezas, e,
Camuflando-se de nobreza
Tranca o coração
Segue com firmeza, 
Amando a solidão!
Quando no fundo se quer estreitar o laços
Sem ter que perder os novos traços
E apertando o dorso do braço
sumula, em si, o próprio abraço.

                                         Leonardo Pierre

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E quem é forte, e quem é fraco?.. E quem se faz, ou finge bem?

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Apologia ao Medo



Aprendemos desde crianças a ver o lado bom nos fatos ruins. Dos sentimentos ruins deveríamos, tirar os ensinamentos possíveis também. Geralmente associamos o medo à coragem, mas como sentimentos que andam na contramão. Porém, prefiro acreditar que o medo é um sinal de coragem. Vejamos: o medo de dizer SIM está diretamente ligado à coragem de dizer NÃO.
Tenho muitos medos, alguns absurdos, mas que são importantes para o amadurecimento das minhas idéias. Raras vezes fui intempestivo, e quando tive a coragem de ser, me arrependi. É o medo quem me faz frear diante de algumas situações. Julgo extremamente importante tê-lo, pois faz pensar. Mas pensar demais prejudica, sabemos...
Algumas pessoas preferem chamar seus medos de sinais, ou pressentimentos, ou “meu coração está pedindo pra eu não fazer”... Tá bom, sim, aceito outras nomenclaturas... Mas é medo! Lá no fundo a voz que lhe impede de ir ou de agir, é o medo lhe fazendo pensar duas vezes. E ele é importante porque, na maioria das vezes, ele livra de complicadas situações.
Pode parecer que é covardia o fato de fazer apologia ao medo. Mas é apenas um jeito mais prático de saber agir tendo do lado algo que faça ter os pés no chão. É necessário manter o equilíbrio entre a intempestividade e a covardia. Pensamos demais ou não pensamos... Porque não achar o “meio-termo”? Ou se não for possível equilibrar, tentar não ser sempre da mesma forma para evitar que haja rótulos?
Essas observações eu sigo sem “bula”... Ao contrário de todos os meus outros conselhos. Covardia? Não... Segurança!

                                    Leonardo Pierre

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Reconhecer, primeiro passo!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nuvens



Gosto de nuvens...
Das brancas às negras, pesadas;
Das que iludem as crianças na brincadeira de serem animais:
As ovelhas na primavera... E as que são porcos rosa, e mudam de cor no outono!
Das que trazem chuva e deixam o céu confuso
Das que são confusas e parecem fios.
Gosto até daquelas que não aparecem,
Como no princípio de verão, céu todo azul...
E as nuvens, lindas e respeitosas
Deixam o sol aparecer sozinho, sem ofuscá-lo!
No inverno elas estão de mau humor! São tímidas, fechadas
Caras amarradas, não são simpáticas...
Mas delas eu gosto também!
Sonho em deitar em uma delas, em várias delas, em todas elas!
Pular e trocar de uma para outra, como quem troca de vagão,
Ou como quem pula “amarelinha”,
Ou pula poças d’água, ou de galho em galho;
E brincar de algodão doce, esculpir um cavalo, galopar pelo céu;
...
E quando para o céu eu me mudar, minha casa será as nuvens
Minha cama também, e os cobertores, travesseiros...
Me enrolar nelas... Como quem quer se camuflar, se perder,
Se iludir e se confundir... Deixar de ser ou aprender a ficar
E se Deus permitir, quiçá, uma nuvem virar!



                                                     Leonardo Pierre

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Segue o sonho de morar no céu...


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Tempo, o Vento, a Saudade e Eu



O Tempo tem dessas cismas de estabelecer relações!
Perdoe-me, então, oh Tempo!
Por me achar o bastante, o suficiente,
O supremo do mundo que eu criei... Afinal, deveria ser meu!
Mas já consigo entender, agora, que faz parte.

Mesmo no meu próprio mundo, seleto, humilde, cômodo único
O Senhor está aqui, e traz contigo todas as nuvens
Com seus ventos que deformam, sem culpa, tão leves e aveludadas nuvens
E o Vento traz as novidades...
E Tempo leva a Saudades... Eles vão e vêm,
Diferentes...
Ora fortes, ora brandos

E a saudade que fica, aumenta a ansiedade
... Pelo fim, pelo reencontro, pelo recomeço!


                               Leonardo Pierre

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A gente aprende a esperar...


terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Vontadeando"




Às vezes tenho vontade de ser louco... Ou de ter sido louco! De ir ou ter ido às últimas conseqüências. De ter arriscado ou estar arriscando. De sumir durante o dia, viajar pra longe, voltar à noite. Ou se não der tempo, só no dia seguinte, dois dias depois, nunca mais... Tanto faz!
Às vezes dá vontade de ter alguém te esperando quando chegar... Essa vontade, na verdade, é permanente. Mas como muitas vezes não tem, dá vontade de voltar não.
Às vezes não dá vontade de acordar. Não para sempre! Só por hoje, ou por dois dias. Sei lá, para esperar os dias de frio e chuva passarem. Ou passar direto pela segunda-feira. Ou pra chorar dormindo e acordar quando o lençol estiver seco, para ter a impressão de não ter chorado.
Às vezes dá vontade de ter vontades... De olhar para dentro, na alma. De entender as vozes da alma, os gritos perturbadores que clamam por liberdade.
Às vezes dá vontade de ser o velho eu. Ou antecipar de uma vez o que deverá ser o próximo eu. Pensando assim, parece mesmo que eu sempre vou querer mudar. E ter novas vontades.
Já é um começo – e tanto - para quem acha que nunca tem vontade de nada. Talvez eu subestime demais as minhas vontades, a ponto de dizer que não as tenho. Que louco! Olha, não era eu quem queria ser louco, há algumas linhas acima?
Às vezes dá vontade de saber nadar. De me igualar aos peixes e ir, lutando contra predadores, chegar às águas calmas, descansar e talvez tentar voltar... Ou cansado de lutar, seguir o fluxo do rio, e descobrir, tal qual a vida, onde o rio vai dar. Espero que os peixes gostem de água salgada.
Às vezes dá vontade de ter crescido em outro lugar, de ter experimentado outras aventuras, ter tido outros amigos, e seus tipos também diferentes. Sei lá, talvez só para testemunhar de dentro o que é ser outra pessoa, com outra educação, manias e costumes. Ter ido a outras festas, mergulhado em alguns livros, aprendido em outra cultura, ser portador de outro sotaque.
Muitas dessas vontades vêm de forma espontânea, mandantes de suas próprias vontades de vir e ficar. Ou ir embora, só pelo prazer de deixar o ímpeto de experimentar. Outras vêm depois de uma leitura, ou um filme que deixa mensagens sutis. Às 2 horas da manhã, porque nesse horário não tem mais barulho. Posso ouvi-lo, vê-lo, senti-lo e perceber seus sinais. E a partir daí, ter tais vontades, que podem ir embora enquanto durmo, ou se reforçar nos meus sonhos. E ao acordar, agilizá-las, ou dizer “não... talvez eu queira, mas deixa para lá. Preguiça demais para essa vontade.”.
Posso realizar algumas dessas vontades. As que se podem concretizar em tempo presente. Alias, posso tentar... As que não custam mais que do que há no meu bolso. Pensando um pouco, percebi que sonhos e vontades cabem no mesmo quarto, são amigos íntimos. A diferença é que os sonhos devem ser – embora nem sempre sejam – mais fortes que as vontades, que são volúveis, instáveis. Os sonhos não! Devem gritar dentro da gente como quem quer existir por desejo próprio, pedindo ajuda, implorando realização. Os sonhos devem ser felizes ou no mínimo, combustíveis para a felicidade. Uma espécie de alvo para o dardo, maça para a flecha, o mar para o rio, e o horizonte para o mar. Deveria ser, aliás, o horizonte para nós. Distante, porém, desejável.
É uma pena, ainda assim, nós preferirmos ter vontades ao invés de sonhar!



                                                           Leonardo Pierre


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ainda é "só" Amizade?




Você já sentiu que uma amizade estava forte demais e confundiu com amor, ou qualquer coisa parecida? Algumas pessoas apostam no sentimento transformado. Dessas, algumas são bem sucedidas, é mesmo amor! Outras não... Apostaram no amor e se viram perdidas, iludidas, pois, nutriram tanto o coração de falsas esperanças, principalmente por ver que investiram sozinhas em um sentimento que deve ser compartilhado.
E ao ouvir alguma música, olhou fixamente para o telefone, durante os longos 3 ou 4 minutos da canção, esperando que o destino agisse, que o universo conspirasse a favor justo naquele momento, que os tais sinos tocassem... No caso, o telefone. Não tocou. Mas para alguém tocou, o destino trabalhou, o (a) aspirante a amado (a) gastou seus créditos, pulsos ou o tempo de trabalho porque pensou no outro.
Outras pessoas, mais duras, experientes ou simplesmente por defesa resolveram não levar a diante qualquer mínimo fogo de palha que esquentasse o coração. Dessas, algumas foram bem sucedidas, era mesmo fogo de palha! Outras não... Deixaram de apostar no embrião do amor, sentimento puro que nascia de forma igualmente pura e despretensiosa. Quiseram lutar contra o destino, deixando escapar a felicidade...
Aí, o destino revoltou-se! Com toda a razão... Fez o trabalho direito, maior sacrifício para estreitar os laços, fazer pessoas distintas se tornarem amigos, proporcionar encontros casuais e, de repente, por se acharem entendidas demais, as ignoram os sinais (A rima não foi proposital, mas poderia ser!). E a vida castiga, claro. Faz questão de “apresentar” as piores pessoas do mundo, só para fazer enxergar o que perdeu. Às vezes há uma segunda chance. Se sim, é bom aproveitar!
Em outros casos, ele, o destino (ou o acaso, vai saber?!) agradece pela sapiência adquirida por anos, ou até mesmo se foi sorte de escolher não ter apostado. Aí ele parabeniza e premia com a confirmação da amizade, que vem sempre com os melhores abraços, carinhos, conversas, conselhos e besteiras. Porque besteira boa a gente faz com os amigos! E aí se percebe que foi uma ótima não ter se iludido com tais carinhos, que queriam mesmo dizer “sou teu amigo... só teu amigo!”.
De um modo geral, não há conselho bom o suficiente que caiba em todos os casos. É sempre bom ficar atento aos sinais, mas sem forjá-los, ou forçar situações, para não correr o risco de se enganar e ludibriar os olhos. Cuidado para não confundir um carinho forte, ou uma grande admiração com amor, paixão ou afins. Deixe acontecer e perceba. Isso sim serve para todos os casos, por mais vago que pareça. Se for para ser, será... A não ser que você queira driblar o destino.



                                                 Leonardo Pierre

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Sinais, Destino, Acaso, Vida... Tudo obra de Deus! Só não se sabe pra que...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O Bom da Vida


Revisitando algumas memórias antigas, percebi que sempre tive saudade. Ou seja, eu nunca estive satisfeito! Sempre querendo ter a idade de antes, sempre pensando que eu seria mais feliz se tivesse tomado outras decisões. Daí, percebi que o bom da vida é viver. E o ruim, também!
Mas o ruim da vida é muito mais que apenas viver. Adicione à lista, por exemplo, os dissabores do amor (E as decepções provenientes dele também). Que desagradável é se decepcionar! Mas olhe para trás... Quantas vezes isso já aconteceu e você – veja só – não morreu! E esse é o bom da vida! A nossa capacidade quase infinita de superar. Digo quase, pois vai chegar um dia, talvez amanhã, daqui a dez anos, ou só na sua velhice, em que você vai perder. Para uma doença, um acidente... Mas ainda assim, a vida lhe dá essa chance todos os dias.
Percebi também que o ruim da vida é esperar, mas que o bom da vida está justamente na esperança. Assim como é ruim se decepcionar, mas é ótimo acreditar. Andando, você percebe que é bom olhar pra trás, sim. Mas é bom também que não se esqueça de olhar pra frente e vislumbrar novos horizontes, por mais clichê que seja a frase e o conselho. Por mais que eu mesmo não siga meus próprios conselhos...
Hey, Vida, está me ouvindo? Eu ainda gosto de você, surpreenda-me! Mas por favor, um pouco menos negativamente. Assopre aqui um pouco mais de esperança, dedicação, perseverança, vontade... De viver, também, por que não? Mais sorrisos, mais dias ensolarados por dentro de mim, mesmo que chova torrencialmente lá fora, não importa! Ande para mim, comigo e por mim. Me dê mais motivos para crer que você tem mais de 50 % de coisas boas, que coisas ruins (ou eu troco o título do texto!)...
Ainda sinto saudades dos meus 16 anos, porque se o bom da vida é viver, o ruim dela é essa mania de me fazer querer sempre voltar atrás. E se o ruim é não ter tal máquina do tempo, o bom da vida é a possibilidade de acordar e ter forças para tentar construir o mundo melhor particular. Com mais de 16 anos, já temos armas suficientes para isso. Obrigado, Vida... Por apesar de tudo, me deixar viver.


                                                      Leonardo Pierre
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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ainda sei chorar



Sempre a vida, não é? A causadora de tudo, culpada pelas tragédias... De mãos dadas com o destino, faz coisas que Deus só não duvida porque é Ele quem está no comando de tudo. Mas uma das coisas que a vida leva culpa é pela frieza das pessoas. Comigo (sou uma pessoa, claro) não é diferente. Pelos incidentes, obstáculos, pedras jogadas em cima, pedras arremessadas por mim, por casos e acasos... A vida levou a culpa e eu me tornei mais frio, mais seco,  insensível. A maioria dos sofrimentos é reversível, a gente aprende a lidar e percebe que nada é infinito, nem mesmo a dor. E como tudo tem limites, eu tenho os meus. Ainda existem sensações que me fazem chorar, pois ainda não sou um poço de frieza como eu mesmo ando me tachando.
Passar de trem pela Mangueira, de ônibus na Vinte e Oito de Setembro, em Vila Isabel. Ações que trazem lembranças ruins, que me remetem ao fim. Fim da esperança, fim de uma felicidade que já tinha seus dias contados. Ouvir músicas ainda me faz chorar... E muito! E muitas músicas, às vezes só a melodia. Só a introdução. Só o solo do violão. Violão ainda me faz chorar... A música tem dessas coisas... Elevar o espírito, ou afundar de vez o indivíduo na lama, na mesa de bar, nos postes, nas lágrimas.
A noite também me faz chorar. É quando tudo faz sentido - ou não. Quando o travesseiro é o ombro de um amigo que ouve quieto o nosso também silêncio. É quando o complexo se simplifica e o simples se complica... É quando dói mais a saudade, trazida pela paz da tranquilidade e solidão. É quando mais se pensa em quem já se foi e não está presente pra dizer boa noite. É a chance de cultivar o pensamento vão de "quando acordar, tudo não vai ter passado de um pesadelo".
E o despertar, cedo ou tarde, é sempre a tapa no rosto que diz "Bom dia, a vida é de verdade!". Portanto, o dia também me faz chorar. A realidade é cruel e machuca, expõe, castiga, agride o que você tem de mais valioso agora: as lembranças. Logo, as lembranças também me fazem chorar... E muito!
Vê-se que eu não sou tão vazio assim! Ainda tenho algum tipo de sentimento aqui dentro, guardado, claro, muito bem escondido. Preciso reaprender a utilizá-lo, fazia isso tão bem. Mas enquanto não consigo, vou chorando! Sim, sigo às lágrimas, que um dia secarão e servirão apenas para formar uma poça para que ao me refletir, eu consiga enxergar no meu interior o que um dia já fui, para que eu volte a ser. Se for da vontade da Vida. Do Destino... E de Deus.

                                     Leonardo Pierre

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Redescobrindo a emoção da vida... !