domingo, 10 de julho de 2016

Além da capa


Pronto, vou revelar:
Usei aparelho!
Tinha um sorriso bacana, mas um dente torto para dentro
Daqueles encavalados
Nas fotos, algumas, parecia não ter dente
De tão para trás tal dente estar
Mas sempre fui assim
Uma alegria que, até, atrai
Uma simpatia que, até, faz se aproximarem
Portanto...
Sou mais que esse sorriso que você diz ser lindo
Fui educado de uma forma linda
Com amor que até hoje entrego a todos

O encantamento com o sorriso é passageiro
Enjoa, com o tempo
Torna-se natural, normal, e as vezes banal 
Então,
Se não souber olhar para dentro de mim
Meu sorriso só vai te fazer feliz à primeira vista
Talvez até à segunda, terceira...
Mas o que eu tenho aqui dentro
Se souber enxergar
É contínuo...
Mesmo não sendo eterno.

sábado, 9 de julho de 2016

À vida














Tá bom...
Eu confesso
O erro foi meu
Agora para de bater

... Você não, Coração
Seu idiota.

Calma



Relaxa, amigo
Todo mundo se perde...
Exclusividade sua
Só sua roupa íntima

...
E olhe lá!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Control L












Sei lá mais o que eu quero
Se o que tanto quis ainda tem valia
Já nem me lembro mesmo do que queria
Nem do que gostei um dia
Nem sei em qual esquina da vida me perdi
Porque este aqui
Claramente
Está longe de ser eu

Caneca











Ei, você!
Falta muito pra chegar?
Eu sei que não me prometeu nada
Tão pouco me conhece
Já passaram tantos corações por aqui
Mas o seu... 
Ah, você!
Por onde anda?
Bem, pra lhe esperar fiz um café!
Se preferir, cerveja na geladeira
Pinga no balcão, bolo no fogão
Tem feijão fresco também
Sempre me virei bem
Mas ao chegar
Traga esse amor quentinho
Pra transbordar minha caneca...

Que há tempos anda pela metade.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Amanhã

Na manhã de amanhã 
Claro, teremos sol. 
De dentro pra fora
Expondo e excluindo as mazelas
As dores 
Os medos
Mas agora, enquanto sendo hoje
Deixe que a dor me doa
Pra que sobre nada para amanhã
Que a lágrima caia
E que molhe o solo
D'onde há de nascer as flores
Que o sol de amanhã iluminará

segunda-feira, 7 de março de 2016

Mais um dia... Menos um dia


Quero dormir, ou quem sabe, fingir
Sonhar, ou quem sabe, partir
Me eximir da culpa de viver 
Enquanto houver motivos pra morrer
Decido a vida como bem quiser
Por isso me recuso a perder...
Ao acordar nesse falso altar
Por me agraciar com tantas cores
Queira, Deus, ser dono de mim
Livrando a amargura dessas dores
E lindo ser, vivendo
Sonhando, mas permanecendo atento
Talvez ignorando o calendário
Que insiste em me mostrar o fim do tempo
À luta, sem perder a esperança
E sem esvaziar o coração
Desejo ir dormir feito criança
Que se encanta com bolinha de sabão

Ir

Tudo é questão de confiança,
Que eu também nem tenho tanta,
Mas sorrio e vou à luta
Pois seguir é importante
Mesmo com a batalha curta
Mesmo sendo um ser errante
Mesmo que nem tudo rime
Mesmo com falta de ar
Mesmo que tudo termine
Mesmo que me faltem as pernas
Mesmo que acabem as caronas:
Ir ainda é o melhor
Pois a volta me compensa
Com o sorriso que fui

Volto, as vezes diferente,
Com a confiança de sempre
Ou de nunca, como sempre
E quem é que vence sempre?
E para que existe o sempre
Se é o impossível que me espanta?
Nessa terra de "me espera"
o "vambora" é que me encanta

Elas sempre olham


     Os dias, para quem mora longe do trabalho, já começam cansativos na viagem. Não possuindo carro particular, piora um pouco. O jeito é se arrumar bem, borrifar um bom perfume, se vestir de um lindo sorriso e pedir carona encarar o transporte público, onde ás 07 da manhã já é possível detectar alguns odores não tão agradáveis quanto o seu, pois já deve estar na rua desde ás 05 horas. Não, isso não justifica, pois existem desodorantes com 48 horas de duração (quem fica esse tempo todo sem tomar banho???). E sua blusa bem passada? Esqueça disso se por acaso depender de ônibus, trêm ou metrô...
     Mas nem tudo é de todo ruim. Eu que faço essas viagens tomando conta da vida dos outros prestando atenção nas cenas cotidianas, às vezes me emociono. Dia desses no metrô, cheio como de costume, me apoiei na porta, na tentativa de sobreviver de um possível esmagamento, olhando para todos à minha volta, com o tempo passando mais depressa no relógio que a composição sobre os trilhos. Do outro lado, um homem e uma mulher, bem próximos (e não tinha mesmo como não estarem), conversavam sorrindo, enquanto ela carinhosamente passava as mãos no cabelo dele. Ele, por sua vez, a olhava expressando ternura e admiração extrema. Torci para um beijo, enquanto eles falavam sobre planos, e ela notoriamente com mais idade parecia lhe dar conselhos e dizer o q faria se estivesse em seu lugar. Ele consentia, balançava a cabeça afirmativamente.
     Eu ainda torcia para um beijo quando foi anunciada a próxima estação. Eles começaram a se despedir, se olharam e levemente tocaram os lábios um do outro. Tão sensível e apaixonado, que passei a ser o terceiro apaixonado daquela relação. Quando abriu a porta do metrô, ela, antes de sair com suas enormes bolsas alocadas no ombro direito, virou e lhe disse: - Mamãe te ama!... Arregalei os olhos para impedir que qualquer lágrima marota se derramasse deles e me controlei para não ir até o rapaz e perguntar o que faltava para ele dizer que também a amava. Eu não precisava mesmo interferir no relacionamento deles, pois ele disse. E alto! Eu estava quase satisfeito naquela manhã...
     Enquanto a mãe mais linda daquela viagem se afastava à caminho da escada, eu torcia: "ela vai olhar pra trás". Eu tinha certeza daquela cena complementar. O metrô fechou as portas, enquanto o rapaz a olhava se distanciar. Ela, como em câmera lenta, pôs o pé na escada, se virou, sorriu, e com o auxílio das mãos, entregou-lhe um beijo, jogando-o no ar com o endereço daquele rosto de menino que o filho passou a ter naquele momento. Eu sabia... As mães sempre olham.

     Direcionei-me àquela porta para descer na próxima estação, olhei para o rapaz e por pouco não o abracei. Mas me contive e apenas sorri, associando aquela cena à tantas parecidas que vivi com a minha mãe, recordando de todas as vezes em que a flagrei olhando para trás ao nos despedirmos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Coração Vagabundo



Quantos olhares, e flertes, e sorrisos de canto
Quantos encantos perfumados para um encontro qualquer
Que, antes de ir, deixou em mim a paixão.
Passageira. Mal me lembro de seu rosto...
Quantas mãos dadas flagrei e pelos dois me apaixonei!
Num surto de um ladrão, quis separar suas mãos
Para entrar no coração de ambos
Amar e ser amado num triângulo pervertido e vulgar
Danem-se as regras e o bom senso e o bem.. e o senso!
Quantas vezes neste dia
Olhei para as mãos de quem atendia
E gaguejei no meu ofício
Transpareci a paixão repentina
E lhe sorri, como criança no natal
E lhe esqueci, igual às passas do natal
Me apaixonei sem me apegar
Varias vezes em um dia
Imagine, que loucura,
Contabilizar durante a vida.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Desesperança



Estamos no vazio do mundo
O alívio não chega
O trem não chega
O socorro não chega
São gritos vãos
Pedidos tolos por compaixão
A mão não pega a mão do irmão
Tá tudo cheio e tão vazio
A água não chega
A morte não chega
Agoniza precoce
Paga qualquer preço e não vê troco
Nem matéria nem imagem
Mesmo que seja pouco

A bomba chega
A faca é cega
Fere e mata
Quando mata,  não explica
E quando explica já enterrou
O inquérito é vão
O policial já atirou
O terrorista já explodiu
Os omissos não divulgaram
E você nem se deu conta
Que se desse a mão ao irmão
Se o trem chegasse
Se o alívio chegasse
Se fome não matasse
Não viveria essa desesperança
No meio do mundo
No centro de tudo
Contando só consigo
Ou com a sorte

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Morre gente


Morre gente triste
morre gente forte
Morre quem duvida
Até da própria morte

Morre o Delegado
Morre até o juiz
Que julgou em vida
O que é ser feliz

Morre a menina
Que tão jovem ainda
Nem deu tempo de
Achar a vida um porre

Morre a senhorinha
Que viveu com medo
A vida inteira
Pensou só na morte

Morre o transviado
Que com Deus debate
Morre gente crente
Morre o homem ateu

Morre todo mundo
Todo mundo morre
Quem fugiu da morte
Nem sequer viveu

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Adeus, infância


Adeus, brinquedos, adeus
Não mais teremos
Adeus lanchinho na vó
Com os netos seus
Adeus corrida do saco
Adeus, turminha
Brincar na rua, à tardinha
Adeus, adeus

Adeus, infância querida
Não mais veremos
Casa na árvore de outrora
Com os primos meus
Adeus "carrin" de rolimã
Bola de gude
Amarelinha e pião
Adeus, adeus

No chão, corrida de tampinha
Não brincaremos
É cada um com seu jogo
Em jogo seu
E cada qual do seu lado
Ninguém se fala
Às amizades, de fato
Adeus, adeus

Banho de chuva nem pense
Não tomaremos
As doencinhas derrubam
Os filhos seus
Os anticorpos,
não mais produziremos
Adeus, comer à vontade
Adeus, adeus

Ainda espero que um dia
Nós encontremos
Numa cidade remota
A tenra idade
Verdadeiramente livre
De pés no chão
Longe de tanto aparelho
Que aprisiona
Mostrando o simples prazer
Da felicidade.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

À toa na vida...

   
     Já perdi tanto tempo querendo algo que não deveria; lutando por algo que não teria... Nesse tempo, deixei a janela aberta, o feijão no fogo, a geladeira aberta.
     Quando me dei conta, não tive o que tanto lutei pra ter, enquanto o feijão queimava, o gelo derretia e molhava toda a cozinha, e a banda passava cantando coisas de amor, com tantos amores melhores com fantasias de carnaval.
     Só aí eu percebi que perderia mais tempo ainda recuperando o estrago que a perda do tempo causou. Tive de limpar o fogão e a cozinha, pôr minha fantasia e correr atrás da banda, que àquela altura já estava pra lá depois da dispersão... Ainda não cheguei.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Os sentidos das memórias


     Sou assumidamente nostálgico. Saudosista nível 11, numa escala de 0 à 10... Vou me apegando, por exemplo à perfumes que me remetam à determinada época. E essas lembranças vão me levando à outras, me ligando à terceiras, e quando vejo, já estou em 1994, de cara com as mortes de Senna, Tom Jobim e Mussum; vibrando e me emocionando com o Tetra, cantando a música do comercial da Kolynos ("...hálito puro refrescante pra vale-e-er..abra um sorriso feliz..."♪). Tenho lembrança até hoje do perfume da minha professora do C.A., que equivale ao primeiro ano das crianças de hoje.
     As músicas, então... Tem um poder absurdo de me transportar diretamente pras cenas mais desimportantes da vida. De repente, assim, do nada, estou com 7 anos, ouvindo os discos da Xuxa ( que a esta altura já eram antigos), num aniversário meu qualquer, em que me era permitido um dia inteiro escutando os discos da loira, de quem fui muito fã a infância inteira.
     Às vezes vejo algum letreiro e a fonte cujo letreiro foi escrito me lembra daqueles seriados japoneses. Viciado mirim em Changeman, Jaspion e todas as sagas japonesas dos anos 80 e 90, sou jogado de novo pra lá, como quem está num sofá, se empapuçando de bolinhos de chuva e olhos vidrados na TV Manchete...
     Esse apego às recordações se deve ao fato de, talvez, eu sofrer da síndrome de Peter Pan. Crescer? Nunca quis... Vou preenchendo meus espaços de saudade. Memórias gostosas que sobrevivem graças aos perfumes, às formas, cores, tons e sons. Vou vivendo fazendo essas associações, como quem sempre vai conseguir um jeito de não apagar o passado, e, mais que isso, perambular sempre por lá. Talvez seja uma forma de não crescer. Uma fuga desse mundão louco para aquele em que a Xuxa descia da nave, tomava café da manhã numa mesa gigante e cantava como se fosse só pra mim. Desse jeito, vou sorrindo pra mim mesmo, sendo chamado de louco, mas me permitindo fechar os olhos e ser feliz de novo, daquele jeito simples que as crianças conseguem ser.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Meu reflexo II

 

      Certa vez acordei e dei de cara comigo. Maldito espelho que insiste em me mostrar. Do lado de cá, indisposto a ver quem quer que fosse, me obriguei a sorrir, na tentativa de refletir algo positivo para o restante do dia. E saí, mal convencido.
      Tomei um ônibus e, antes que pusesse meu pé no primeiro dos degraus, vi meu rosto mal humorado no retrovisor. Obriguei-me a sorrir. Enquanto isso, o motorista me sorria, pensando que meu riso era para ele. Desejou-me um bom dia caloroso, e a trocadora refletia o sorriso do motorista, que refletia o meu, que não passava de um reflexo mentiroso do retrovisor do ônibus.
      Ao chegar no trabalho, me sentei e a mesa de vidro, teimosa como todos desse dia, me refletia. Obriguei-me a sorrir, a fim de me iludir com um dia agradável. Nisso, chegando os colegas funcionários, os mesmos me sorriam de volta, sem saber que meu sorriso era falso. Tanta graça foi iluminando o dia que, àquela altura, eu já nem lembrava porque começara tão ruim...
      No fim do dia, contabilizei tantas risadas espontâneas a partir de sorrisos forçadamente refletidos que resolvi beijar meu espelho e o agradecer, como quem agradece a si mesmo, pelo lindo dia que ele me proporcionou.
                          (...)
      Hoje acordei e dei de cara comigo. Bendito espelho, inspirador dos sorrisos de todo dia.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Adeus, saudade


Havia algo aqui dentro
Fazendo barulho
Batendo, batendo
No mesmo compasso
Batendo no quarto
Um velho baú
Com seus velhos retratos

Abri o meu peito
Abri o baú
Saudade daqui e dali
Escaparam
Se encontraram no céu
E caíram lágrimas
Do céu, como chuva;
Do baú, manchas antigas;
Dos olhos, soro e leveza...

Aquele barulho
Quase me fez surdo
Emudeceu na tempestade
À saudade, disse adeus!
Fechei e guardei o baú
Limpei e fechei o peito
À vida, uma nova chance!
Renascido em branco e preto

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Rouco


Não faça pouco desse mal
Que nos consome pouco a pouco
Não julgue mal por ser tão pouco
O que lhe dei de coração
Não seja louco por tão pouco
Se normal não é tal mal
Não faça mal a este louco
Que se contenta com tão pouco
E de tão louco, pouco a pouco,
Está virando alguém normal.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Você é dor









De dor você entende nada
E nada você entende bem
Cuspindo soberba na cara
Olhando a dor de ninguém
De riso estampado na cara
Debocha de quem não o tem
Mas sua verdade é tão rara
Ninguém pagará um vintém

Implore a mão
De quem tem compaixão
Alguém haverá de estender
Entenda, amor:
Em todo canto de dor
Terá um pouco de você.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Caminhos



     É difícil conviver com o medo. Principalmente quando este vem acompanhado de outros. As vezes temos a sensação de que o tempo corre mais rápido para nós e acredite: pode ser verdade. Enquanto perdemos tempo dando atenção aos nossos medos, outras pessoas estão arriscando e ganhando esse tempo que perdemos olhando para o nada, angustiados por não tomarmos decisão...
     É complicado domar o medo quando ele cria um dilema. Por exemplo: ficar perdido entre o que quer, o que gosta e o que realmente precisa, passa aquela sensação de estar localizado, estático, no meio do nada, com três ou mais caminhos à disposição e com uma ampulheta marcando o escasso tempo que tem para escolher.
     O preocupante dessa situação é justamente essa escolha. Ou a "não escolha". Perdido nessa trilha, na qual não se sabe ao certo aonde vai dar, pode parecer um suicídio decidido na Roleta Russa...
     Mas e o tempo? Ele não ficou parado enquanto decidíamos o caminho. Não sei qual a melhor resposta, mas, certamente, ficar parado no meio da trilha não é o mais aconselhado.
     De verdade? Fecha o olho e vai! Se der errado, volte duas casas, já ciente de qual caminho não seguir. E se não der para corrigir a opção errada, a vida se encarregará de propor outros dilemas, com outras questões e você verá que foi testado durante toda sua existência, numa infinita prova de múltipla escolha, desde quando não sabia se gostava mais de Cremogema® natural (com canela ❤) ou de chocolate... A vida cobra respostas definitivas.
     Então, sem medo do final, se joga. Paulinho Moska diria:
"... Qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?"

Boa prova... Digo, boa sorte!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Seguimos esperando...

 


     Pelo fim do dia; pela sexta-feira; pelo grande amor. Esperando pelas festas; pelo natal; pelo verão e o carnaval.
     Esperando pelo trem, como Pedro Penseiro; pelo fim do mês e o salário; pelo aumento que demora a vir...
     Esperando pela sorte; pelo destino. Esperando pelo milagre. Aceitando a sina e o "carma". Aceitando o açoite da carne.
     Seguimos esperando nove meses... Ou sete. Esperando o anúncio do sexo. Esperando o encaixe no sexo.
     Esperamos fazer 18. Depois 20, 30... Esperamos pelo casamento e depois pela coragem de dizer "chega".
     Esperamos virar o ano. Depois o outro e o próximo. Impressionante como raras vezes o tempo presente é aceito como um presente.
     Chegará um dia em que estaremos próximos do fim e nos daremos conta que desperdiçando momentos, na torcida para antecipar os próximos, estivemos de algum modo abreviando a vida passando todo o tempo esperando, esperando, esperando...

terça-feira, 3 de março de 2015

Morena Gê

 

     O problema é que ela era bonita. Morena, magra, bunda grande, cabelo cacheado, gostosa. O tipo de mulher que o gringo descreve quando fala das brasileiras. E para a sorte de muita gente, ela era carioca. Muita gente mesmo...
     Por saber de todo seu poder feminino (e  o conhecimento desse poder é a maior arma de uma mulher), usava e abusava da sedução latente na sua personalidade, sem pudor nenhum. Possuía um número vasto de admiradores (para usar um termo "light") e uma lista bem reduzida de namorados. O pessoal gostava disso, afinal, para que privá-lo de tanta beleza desfilando pelos cantos da cidade?
     Acostumada a transitar pelos sambas, pagodes, festas e bailes, não se fazia de rogada quando queria a companhia de quem quer que fosse. Arrastava consigo sempre uma fileira de amigas, amigos e até um ou outro caso e até ex casos amorosos. Normal... Para ela. Mas daquela vez ela exagerou...
     Era a semana que antecedia um super baile de música negra. Uma noite black, dedicada inteiramente ao ritmo, cujo estilo tinha tudo a ver com ela, como quase todos. Fez seus contatos e foi tratando de convidar seus amigos. No calor da emoção e tomada pela euforia, convidou um amigo com o qual já havia tido um caso. Depois, chamou um "ficante" atual. Após, outro rapaz, que também estava "conhecendo" há algumas semanas... E assim ela foi se empolgando e convidando, até chegar no inacreditavel número de 11 "amigos", todos com algum tipo de envolvimento amoroso ou sexual. Ela só não contava que todos aceitassem prontamente o convite. Mas ela, que nunca negou gostar de ver o circo pegar fogo, se divertia com a história e imaginava o quanto seriam engraçadas as cenas desse episódio.
     Chegado o dia do baile e lá foi ela se preparar para a noite: saia amarela começando na altura do umbigo e terminando num tamanho suficiente para tampar o que não deve ser deixado à mostra; blusa branca, colo aberto e barra logo abaixo dos seios, deixando livre a brecha que exibia uma barriga lisa, morena e sem excessos, aparecendo até o amarelo da saia que realçava ainda mais sua cor alucinante; o cabelo alisado, rejeitando qualquer tipo de ditadura que a obrigasse deixar seu cabelo cacheado só porque virou moda deixá-lo assim.
     Saiu de casa sozinha. Afinal, companhia não faltaria. Os onze rapazes, coitados... Também foram sozinhos. Chegando, um a um. Não se conheciam. Eram brancos, negros, magros, altos, fortes e até alguns com um padrão de beleza duvidoso. Era diversificado o gosto da moça.
     Ao chegar no baile, o que viu foram sorrisos e olhares brilhantes. Desde o DJ, passando pelos 11 trouxas, até os vendedores das barraquinhas... Apenas os onze se sproximaram, instantaneamente, a cumprimentaram e ficaram ali ora dançando, ora como guardiões, protegendo-a dos outros. A danada evitou o quanto pôde qualquer contato íntimo. Exceto quando arrumava um jeito de ir ao banheiro com um, ou buscar uma bebida com outro, ou outra desculpa para se ausentar com os nove restantes. Um de cada vez.
     Aquela zona parecia ordeira, até a princesa resolver flertar com um mulato à poucos metros dali. Alto, forte com os braços amostra em sua regata, um boné mal posto na cabeça, ginga negra e sorriso amplo. Não satisfeita com os onze rapazes que a cortejavam, se aproximou da décima segunda vítima e dançou sensualmente, de frente e de costas, provocando aquelas reações hormonais no pobre mortal.
     Enquanto se deleitava da música e do corpo do moreno, sorria para os outros, ignorando o fato de estar se iniciando uma guerra entre eles. Estes, se dando conta de que estavam ali pelos mesmos motivos, convites e intenções, a xingavam, enquanto alguns a defendiam e outros já se degladiavam. E ela? Ria, diabolicamente, enquanto mordia o canudo da caipirinha. Àquela hora, os onze iludidos já trocavam socos indiscriminadamente entre si, enquanto ela se entregava aos beijos e braços do tal mulato nunca visto antes por ali.
     E enquanto o sangue dos enganados já manchava o chão da Pedra do Sal, o do negro fervia, o impulsionando a arrastar a "menina-moça-infernal", que de livre vontade deixava ser levada por ele, que mal a conhecia e tinha nada a ver com a história. E viveram felizes até o baile seguinte...
   

                                 Leonardo Pierre
     

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

DESCONTENTE


Que ninguém comente:
Mas o corpo mente 
Toda a dor que sente...
Esquecer? Nem tente!
Um jeito, talvez, invente.
Mas desde já, fique ciente
A saudade manda e desmanda na gente!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quem?


E quem, além de mim pode ser?
E quem, além de ti, pode ter  mim?
E quem haverá de dizer
O que falei há  tempos atrás?
Mas...
Você chorou, e desperdiçou tanto amor
Que eu guardei só pra te dar
Mas teu coração quis se fechar

E quem, além de mim, te terá?
E quem, além de ti, amarei assim?
E o que farei com as canções
Que eu guardei pra poder te cantar?
Rabiscar, talvez, os versos nos quais o teu nome imperou... Ou vou guardar
Que se outro tomar o meu lugar
Entrego pra ele declamar

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Como gatos


   Durante muito tempo eu quis ser um gato. Aqueles das fábulas, que tem sete vidas! Experimentar essa sensação deve ser incrível. Sair vivendo por aí sem nada temer, com a garantia de ter algumas vidas no bolso. Daí, parando de sonhar e desejar o impossível, passei pelo período de não me arriscar, sob o argumento de não "gastar" a única vida que tinha. Nada poderia ser menor, não é?
     Óbvio que você não é um gato. Pelo menos não da classe dos felinos, peludos, quatro patas... Logo, você também não possui sete vidas. Porém, você pode decidir viver essa única vida como fossem sete, ou esperar que ela passe, sem viver grandes emoções, sem experimentar o risco de se perder vez ou outra. Já falei uma vez sobre viver fora do eixo (leia em http://leonardopierre.blogspot.com.br/2013/11/por-um-mundo-com-mais-viagens.html?m=1 ). Então, quer um conselho? Não, mas vou falar assim mesmo: extravasa aí, vai!
     Claro que a vida passa deixando alguns traumas. Mas permita-se sofrer só o necessário. Arrisque-se e deixem que te marquem outras vezes e sempre. Uma hora será bom... Um trauma que você vive remoendo gerará outros traumas. Nem todo mundo vai entender que seu perfil é fechado e retraído por sofrimentos passados. Dane-se, cara! Outra vida, outras pessoas. Encare cada cicatriz como uma espécie de morte e viva outra vez a partir dali. Tal qual um gato. A vida vai machucar bastante - ah, se vai! Então, imagine: você viverá muitas vidas com certeza. Ouvi dizer que os gatos tem inveja de gente assim. Pois que tenham!
     Sete vidas em uma! Acho que nem mesmo Deus pensou que pudéssemos ser tão sagazes. Desprenda-se de certos medos que lhe impedem de avançar. Com cuidado, sim... Há medos necessários (leia em http://leonardopierre.blogspot.com.br/2013/04/apologia-ao-medo.html?m=1 ). Mas deles também já falei, agora o papo é de coragem.
     Vamos experimentar sair do comodismo, essa inércia inoperante, do medo, dos sonhos que não acordam... A vida é aqui fora, é uma só. E você pode vive-la como quiser, varias vezes, cicatriz sobre cicatriz. É só querer!

                                   Leonardo Pierre
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Oriundo de uma conversa inspiradora com a minha mais nova leitora: a professora e linda, Luiza.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O último suco


“Pai e Mãe,

Está um pouco complicado manter-me aqui. É como se não tivesse motivos para isso...


Escrevendo essa carta, sei que não os tenho mais, mas é que sempre que pensei em fugir, sonhava em deixar uma carta para vocês... Assim como acontece nos filmes. E lembrando que não tenho mais vocês, é que fica tudo mais complicado...


Ninguém me entende por dentro...

Todas as minhas crises, meus dilemas, minhas dúvidas infindas... Minhas conversas comigo mesmo, cada vez mais constantes... O meu canto, cada vez mais alto e desesperado... Por um tom, uma cor, uma ajuda!

Ninguém entende, pai, que eu queria mesmo era ser como você. Ninguém entende, mãe, que os valores que me passou é tudo o que eu tenho. Peço desculpas aos meus amigos por não poder oferecer nada, além disso.

Ninguém entende os gritos que solto, no silêncio torturante, com os olhos abertos e pálpebras trêmulas. Ninguém me socorre.

O meu sofrimento calado, enquanto sorrio falsamente para todos os lados... Ninguém nota.Não sei quem vai ler isso... Por quanto tempo ficarei aqui jogado, se darão falta em horas ou em dias. 

O meu suco de laranja, batido com goiaba, nosso preferido está uma delícia. O último! Com alguns grãos de minhas lágrimas que se solidificaram nesse veneno que me matou pouco a pouco durante anos e agora o fará pela última vez... Misturei, está imperceptível. Muito gostoso e sem cor aparente... Estou meio tonto... Não sei se conseguirei assinar a carta, nem colocar nela tudo o que desejo. Mas moro só, como fiquei só durante esses anos sem vocês, saberão que fui eu. Aos amigos, peço desculpas pela covardia de não conseguir ver a vida de frente, apesar de todas as conversas. Amo todos, retribuindo o carinho que tiveram comigo... Obrigado, desculpas   ..........                                                       

                                                                       Um Personagem
.............................................................................................................................
Menos um dentro de mim...
 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

É Ela









É mais que flor...  É desejo de florir
É mais que sonhos cor de rosa
É arco e flecha de rosas e seus espinhos
Dos que doem e arranham... Aos singelos presentes às amadas
É mais que entre o inverno e o estio
É mais que a preparação para o calor
É juventude, é contagem, é aniversário
É dádiva, é cor!
É vermelha!
É chão coberto de luz
É folha voando ao vento leve
É sopro interno abrindo caminho até o infinito
É pássaro admirando a si
É reflexo do sol após a bruma vez ou outra
É dia iluminado para noites dissonoras
Onde nem vento, nem garça
Ninguém ousa incomodá-la
É saída do casulo
É pouco, é tudo
É fato, é flor
Sou eu, é você
É Ela.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Afeto ainda feto


Amo um amor improvável
Um amor indecifrável
De defeito incorrigível
De proporção incalculável
Um amor intangível


Algo inimaginável
Um amor que não morreu
Pois é um amor que não se sabe
Um amor que não existe
Amor que ainda não nasceu

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Missão: desvendar!

        Percebi que o que mais me atraiu em você foi o seu mistério. Seu ar de segredo com olhar de “vem me decifrar” chamou mais minha atenção que sua notável beleza. Havia nesses olhos uma ingenuidade burra que me fazia lhe querer e me desafiava, no jogo particular de me provar que seria capaz de lhe conhecer mais que você... Sua testa, ora franzida, ora acompanhando a sobrancelha esquerda levemente levantada não me intimidava. Eu ria. Pensava como ser possível em tão poucos anos vividos, caber tanta arrogância e altivez. Que alias, não duraram muito tempo, como eu já previa.
       Eu, que não sabia grandes coisas da vida, mas sabia um pouco do mundo, me apaixonei pelo seu mistério, antes mesmo que pudesse descobrir seu nome. Até que chegasse ao seu convívio, não me cansei de olhar de longe o que eu tinha certeza que estava me esperando. Sondei, rondei, forcei “encontros casuais”... Como já me apaixonara por tudo que você era antes mesmo de lhe conhecer intimamente, não foi muito difícil me afeiçoar pelo seu toque, seu nome, seu cheiro, seu jeito. Depois de perder os sentidos, perdi também o controle da situação.
       Passei a lhe ensinar um pouco mais da vida, enquanto você me ensinava o quanto era bom ser espelho para alguém. Gostava disso. Era uma mútua satisfação: meu prazer em proteger; seu conforto em ter onde deitar, encostar e se sentir longe de qualquer perigo. Apequenei-me diante de tanta pureza. Enquanto decifrava todos os seus mistérios, os quais eram os principais motivos pelo meu encantamento, você se desnudava mais ainda na vida. Não queria, mais acabei sendo o responsável por esses seus voos. Perdi o controle de mim, de minhas atitudes e sobre você...
       Você já era quase totalmente transparente pra mim e os desafios já não eram mais tão nobres. Não havia mais cheiros a descobrir, mistérios e segredos, o toque não se renovava. Era muito de você em mim. Transbordou e esvaziou aos poucos. Eu não queria aquele jogo besta e comum dos casais normais. Não era instigante ter que administrar crises rotineiras.
       Agora, de longe, entendi que o fim de qualquer coisa nossa, coincidiu com o fim dos seus mistérios. Soubesse disso, eu jamais teria tido tanta pressa em lhe descobrir. Gostava da sua ingenuidade, da arrogância acompanhada de caras e bocas e trejeitos. Sobrancelhas e testas franzidas. Gostava do que você era
. E eu, ainda sendo o velho eu, continuo me desafiando a descobrir novos segredos espalhados por aí.

                                                                                   Leonardo Pierre

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Descobrindo...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Contemplando cenas repetidas




       O que pensam as pessoas que estão sempre no mesmo lugar?  Há dias observava daqui, janela da cozinha do escritório no qual trabalho, um senhor, pelo que me parece a essa distância. Não fico parado aqui o dia inteiro, certamente. Mas naquele horário, beirando às 4 da tarde, este homem estava sempre lá, na janela de seu apartamento. Na mão esquerda, um cigarro; na direita, um copo - de café, suponho. Não pela fumaça, a qual eu não avistava daqui.
     Nessa minha pausa diária de cinco minutos, perdia quatro olhando para a janela que fica a aproximadamente 50 metros da minha, e o outro minuto enchendo meu copo de café, o levantando em direção ao senhor em espécie de brinde, que nunca houve resposta. Não sei se perco quatro minutos ou ganho, mas ficava tentando imaginar no que pensava tal homem. Será que pensa? Que devaneios teria, se é que os tinha, ou era tão ou mais lúcido que eu. Seria café, ou uma bebida escura qualquer?
          Lá ficava o homem. Não sabia de fato no que pensava. Se num filho, ou nas dívidas. Ou se apenas esperava o cigarro, que lhe entupia os pulmões, acabar. Se ele aguarda o padeiro passar na rua e dar-lhe um “tchau”, no momento em que já não tomo mais meu café. Ou futilidades. E em outra estação, quando talvez o sol brilhasse em sua janela naquele horário que bebia o café? Será que ficava ali a se bronzear, sem camisa, soprando fumaça para o alto?
           Na janela, nunca vi outra pessoa. Nem de passagem, nem para fechá-la. Sempre pensei que ele fosse um homem sozinho... Ao final do meu expediente, saía às conversas com outros colegas de trabalho e disfarçadamente olhava para o alto e não encontrava mais ninguém. Apenas uma claridade, que provavelmente vinha de uma televisão, iluminava uma fresta deixada na janela. Não sei porque tenho tanto fascínio por essas coisas que se repetem. No caminho de volta para casa pensava todos os dias, o que fazia aquele senhor que, sempre no mesmo horário, estava no mesmo lugar.
            ...
           Nunca esqueci essas cenas. Meses depois, descobri que o senhor havia morrido. E uma senhora contou, saudosa, dos momentos do senhor às tardes, fumando e bebendo café na janela, enquanto ela o observava, sentada no sofá, em silêncio, tentando adivinhar os pensamentos de seu marido, que sempre foi enigmático, causando curiosidade em todas as pessoas que o cercavam. Inclusive em mim.

                                                                                Leonardo Pierre
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Dáblio


Acostumado a fugir de tudo o que lhe pressionava, tinha em si a certeza de ser um tanto indomável. Não havia pressão que o assustasse; não havia prisão que o acorrentasse.
Ligeiro e escorregadio, conhecia as tangentes que lhe proporcionariam a fuga perfeita. Sempre liso como sabonete molhado, polido como azulejo branco e úmido, estava sempre com um corpo de vantagem sobre quem quisesse lhe alcançar.
Certa noite, cansado e se esvaindo em suor, talvez fraco e fora de si, encontrava-se no último andar de um prédio tão alto que parecia sentir a expiração da respiração de Deus. Tentou fugir, como de costume, mas era vento forte demais. Mais forte que seu corpo e sua vontade de liberdade.
Aquele vento estilhaçava os vidros das janelas daquele local. Impossibilitado de resistir à tão forte tempestade, começou a ser arrastado pelo vento e encontrar pelo caminho todas as características que havia em si. Deixou pela cidade suas impressões no chão tão polido e liso quanto ele. Olhava para trás e se via multiplicado, com várias cópias de si mesmo, sem chance de apagar-se, menos ainda de segurar-se em qualquer lugar onde o sopro de Deus não pudesse alcançar.
Percebeu então que apesar de todas as suas fugas durante a vida, ele sempre foi marcado por algo que passou. Nunca foi o mesmo com tantas cópias de tantas gentes que se multiplicaram e deixaram nele marcas inalteráveis...
Quase quarenta graus! Febre acompanhada de delírios, que me contou ao acordar. Contou-me de Deus e seus ventos e das próprias fugas sem sentido. Banhou-se, vestiu-se e gritou ao mundo, permitindo-se, a partir dali, ser marcado por toda vida que passasse por ele.


                                                         Leonardo Pierre
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Permita-se

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O Tal Malandro



Era um Malandro
Tinha pinta de moleque e um sorriso encantador
Cada quadra era uma esquina, cada esquina era um amor
E ele lançava fácil cada golpe de olhar

Era um Malandro
E na juventude fez das Damas uma coleção
Não poupou nenhuma delas de sofrer decepção
Com andar sempre sereno lhes prometendo amar

Era um Malandro
E de tanto Malandrear, escorregou na ilusão
Conheceu a Dama certa pra domar seu coração
Que fez dele o que bem quis... Tem dele o que quiser

Daí então
O Tal Malandro percebeu que é difícil impedir
O destino de fazer suas maldades quando quer
Percebeu que não se brinca com desejos de mulher

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Casinha


Abri a porta de lá
Mas só pra faxinar
Uma limpeza costumeira
Como toda sexta-feira
Não poderia imaginar
Que alguém moraria ali
Estranho e calmo, tal lugar

Essa casinha
Que era só minha
Que só batia
Que não sofria
Hoje te convida para entrar
Só uma chave, Não tem problemas
Não esquente com isso, não
Essa casinha que te convida
Só tem entrada, não há saída
Fique à vontade
E se aproprie do meu coração

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sejamos Nossos


Deixou no ar, ao bocejar
A atmosfera que desejo respirar
Dê-me, pois, esse direito
Deite, então, sobre meu peito
Queira tudo, e muito e mais
E o prazer que satisfaz
Que seja claro e óbvio
Que seja simples e sempre
Que apague toda dor
Que vez ou outra a gente sente

Sejamos nossos toda noite
Que fujamos do açoite
E deixar a noite toda
Tocar o violão inquieto
Despertar o momento disperso
Dispersar o golpe esperto
Que atinge o sonho em comum:
O desejo da vida inteira
Dois corpos na esteira
Mas coração, apenas um

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A quem interessa?




               Seguindo na rota dos pensamentos, me pego as vezes tentando entender o que as pessoas pensam das pessoas. Depois, me questiono duas coisas:
1.    Elas pensam nas pessoas?
2.    E se sim, por que pensam tanto nas pessoas?
Claro que é aconselhável SEMPRE pensar nas pessoas, no que elas sentem e/ou acharão de cada doideira nossa de todo dia. Mas andam preocupadas demais com a vida alheia...
              Percebo um mundo de gente ligada demais nas ditas verdades. O que é verdade? O que é mesmo necessário dizer? Nisso, entra a história de assumir ou não alguma coisa. Em tempos de redes sociais bombásticas, é até natural esse tipo de exposição. Mas, e quem não prefere essa invasão consentida? Terá que se conformar com a invasão forçada?
             Estamos em um momento onde parece ser obrigatório assumir um relacionamento, uma orientação sexual, desejos íntimos; revelar vontades próprias, o que não se diz, todo o sentido e principalmente o que não faz o menos sentido! Pra que? A quem interessa?
             Transformar a vida “do próximo” em um reality show sem famosos está se tornando patético! Sem as câmeras dos “Bigs” programas, forçam os olhos e perdem o próprio tempo para espiar o vizinho. Como se já não bastassem as revistas que fornecem todo o leque de assuntos, talvez dispensáveis, das incríveis estrelas permanentes e algumas já decadentes. O “entre, pode entrar!” não é mais necessário. Já invadiram.
          Desejo que fiquem livres da exposição desnecessária os casais discretos (A vida é de vocês, assumam o que quiserem, se quiserem e quando quiserem), os homossexuais, bissexuais e afins (Na boa, ninguém chega em casa com a cara dramática e diz: “Mãe, pai... sou “hétero”!”, portanto, não se forcem caso não queiram. A vida e o que você faz dela também é problema – e/ou prazer - unicamente seu)

             Aplausos para quem faz de sua vida um livro aberto, mas com aquelas páginas exibidas somente em edições exclusivas!

                                                                    Leonardo Pierre
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Viver... Apenas!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Saudade de Mãe


Tinha eu meus oito anos
Nove, ou dez, não lembro bem...
Acordei lembrando de como era bom apenas lhe ter
Saudades das brigas
Daqueles castigos que fazem aprender...

Saudade da chuva, da terra molhada
Sujando de lama o tapete da casa
Arrancando risos, chamando por nomes que eu inventei
O samba acabou, a luz apagou
E só eu fiquei!

Saudade da escola nos primeiros anos
Traçando nos sonhos os primeiros planos
Andar de mãos dadas, cruzar a avenida
Faz falta os rostos que você fazia
Ligar de repente,mudar o cardápio
Preparava as coisas que eu nem sabia

A luz acendeu, o samba acabou
Já amanheceu, o sonho findou
Lembranças dos anos
Dos nove, ou dez
Lembranças do quanto você me amou

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O que o coração quer?



O que será que o coração quer de nós? Cego toda vida, anda apontando o dedo na sádica brincadeira de “salada mista” e escolhendo as piores pessoas. Para não ser tão injusto, seguem as diferentes ações desse “músculo involuntário que pulsa por um monte de gente”:

1 – Você está sozinho(a). Permanece sozinho, porque o coração, mal humorado não está a fim de socializar. Mesmo quando você quer! Você bem que procura nos melhores lugares, alguém para que role a possibilidade de rolar alguma coisa... Sorrateiramente, para o coração se acostumar. Que nada! Você vai beijar bocas em quantidades da população da China e ele nem tchum... Muito menos “Tum-tum”!

2 – Você está sozinho(a). Quer ficar sozinho(a)! Sabe como é né? Curtir a vida, zoar com os amigos, com as amigas, Futebol aos sábados sem problemas... Ou noitada com as amigas sem compromissos da hora de voltar, exceto pelos pais ciumentos. Que o coração faz?
·                                     2.1 - Coloca no seu colo a periguete sensação do bairro... Não suficiente, ele bate forte pela danada, você fica louco pela fulana, dá mundos e fundos (Só o mundo, é melhor!). Mas melancia grande ninguém come sozinho e aí você toma aquela galhada Super Hiper Mega Plus Master Gigante, daquelas que todo o seu círculo de amizade da vida real, mais os conhecidos das redes sociais sabem... antes de você! Valeu coração, Obrigado!
·                                    2.2 - Joga você nos braços daquele cara saradaço, no meio da boate, dos sonhos, tipo príncipe! Claro que você está sozinha e não quer se apaixonar, mas no dia seguinte quando acorda, você pensa em que? Num remédio para dor de cabeça, claro! E depois, pensa naquele carinha que ficou de te ligar e de repente... Olha lá o telefone tocando. Você pensa: “Ih, olha o coração acertando dessa vez!”. Que nada, garota... Acorda! Coração não joga do teu lado não, muito menos quando você não quer!

Aí você pensa: “Mas eu nem queria me apaixonar, Coração burro desgraçado!” É, mas ele se manda...

3 – Você está sozinho(a). Não está a fim de ficar assim, ta cansado(a) da vida de solteiro(a), já curtiu demais. O coração, independente, demora a arrumar um pretendente digno pra você. Depois de colocar você nas piores situações, enfim, aponta o dedo pra aquela pessoa que oh: Vale a pena! “Felizes de uma maneira geral”, como diz uma canção que eu desconheço, mas vi alguém postando um dia desses, vocês vivem aquela eterna lua de mel de um mês! E foram felizes para sempre? Claro que não, né... Essa situação, cedo ou tarde, ou muuuuito cedo, está acompanhada com a ação a seguir...

4 – Você Não está sozinho(a). Está muito feliz, obrigado. Arrá! Acontece que, o coração tem certos atrasos na percepção dos pedidos feitos por você. Você demorou a encontrar alguém, mas pediu, e pediu, e pediu bastante! Ele, na ânsia de acertar (pode duvidar se quiser, eu mesmo duvido das boas intenções dele...), te deu de presente um amor maravilhoso, cheio de planos pra vocês dois e de repente errou na dose. Saiu apontando o dedo para um monte de amores, e para um deles você olhou. Tá aí, o coração não errou na entrada, mas na saída deixou a assinatura! Pego emprestado um verso de Chico Buarque que diz “Amo tanto, e de tanto amar...”, para dizer que de tanto amar, o coração amou duas pessoas! Uma briguinha inocente ali, deu brecha para um outro amor, e você pode tentar dizer que não, mas para toda a galáxia, é uma tremenda cafajestagem sua. E você, claro, Vai culpar o coração. Esse bandido!

E com certeza, Nunca saberemos o que quer o coração... A menos que encontremos aqueles amores de cinema, novela, desenho, contos... Nesses, que duram para sempre, o coração agiu direitinho. Que inveja!

                                                                           Leonardo Pierre
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E então Coração?

Visita



Cá... No meu mundo fechado
Com a chave por fora
Preso no passado
Passava da hora
De alguém ter coragem e me visitar

E ao abrir a porta
E ver o teu rosto
Feições tão felizes
Abraços à gosto
“Menina-sorriso” veio me encantar

E sim,
Lembrastes de mim
E não desistiu
Fazendo assim
Tão linda sorriu
"Oh, Felicidade... tu podes entrar!"

terça-feira, 27 de maio de 2014

Sorriso Improvável


Tempo improvável para te ver sorrir
Pensei que sofrias do súbito mal
Depois do que te obriguei a ouvir
Com meu egoísmo além do normal
 
No entanto, sorris com a mesma doçura
Nos bares, nas festas, em todo lugar
E eu me trancando na minha loucura
Ter-te, perder-te e te ver se afastar

Dizem ser falsa tamanha alegria
De moça vestida de pura candura
Mas nesse improvável encontro do dia
É tão convincente a tua armadura...

Que finjo um sorriso de “tudo está bem”
Mostrando que sempre serei incapaz:
De ferir-te na alma e em tudo que tens;
De ousar novamente tirar-te a paz

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Povos da mente



“Bom dia Leonardo. Putz, já ta ele falando sozinho outra vez, pára com isso! Já estou eu falando comigo mesmo e me tratando em terceira pessoa como se eu fosse outro, além de mim.”

LONGA PASSAGEM NO TEMPO, FAZENDO AS MESMAS COISAS DE TODOS OS DIAS...

“C#%¨*lho, já são 20h? Louça na pia. Não vou fazer comida de novo. To com fome. Não tem miojo. Cacete, vou fazer comida. Que isso, sou f..#@da, ficou bom demais. Novela estranha, mas vou ver assim mesmo. Hoje vou dormir cedo, muito sono. [Telefone].”

MEIA NOITE...

“A madrugada é minha. [Pronto, vou filosofar meias palavras de auto-ajuda no wathsapp e umas postagens estranhas no Facebook...]. Vontade de comer... de novo! Hum, um chocolate gelado ia cair bem. Acabou o leite. Vou beber água mesmo. Ih, tem um refrigerante sem gás ali na geladeira. Saudade da minha mãe. Como tem gente engraçada na Rede Social. Vou ler uns blogs de alguns amigos. [Três idéias idiotas de textos sensacionais e não sai nada]. [Pausa pra ver alguém interessante no Jô Soares]. [Abaixar o volume do rádio pra ver o Jô, ler algum blog, Postar na página, fazer alguma imagem editada pra postar às 10h da manhã na página, escrever um texto de dez linhas e apagar tudo por achar um absurdo tudo aquilo que escrevi... Tudo isso ao mesmo tempo]. É até que o Jô foi “legalzinho”. Queria minha mãe. Putz, eu ia dormir cedo. Queria comer alguma coisa. [Lembrei de alguma coisa interessante que aconteceu num dia nem tão interessante.]. Podia escrever sobre isso. Hoje não, to com preguiça. Vou deitar. Cacete, esse filme é "bonzão"...”.

TRÊS HORAS DA MANHÃ...

“Sono de verdade, hen Léo... Falando sozinho outra vez se tratando na terceira pessoa, Pierre? Deus, eu me perguntei e eu mesmo vou responder e já não sei em que pessoa estou. Acabou que não escrevi nada. Hum, saudadinha do meu Bebêre. Obrigado meu Deus, que cansaço gostoso. Acho que vou escrever sobre as dores...”


[ESCREVO UM POEMA SOBRE O AMOR, SALVO, ME ORGULHO, VOU DEITAR]

                                                            Cabeça do Leonardo Pierre
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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mudar


Tudo muda.
As cores mudam, não são virgens. Para que outras cores nasçam, é preciso essa mutação, a mistura de umas com outras. O governo muda, por melhor que tenha sido (é difícil essa segunda oração); o céu muda, mesmo sendo essa “infinitude”... Esse céu pode não ser o mesmo de lá do Acre, onde pode estar chovendo misérias.
As saídas mudam. Mudam de lugar, de tamanho...
Os móveis da sala mudam demais, sempre dando ares de casa nova, na nova disposição. Mudamos de canal, o canal muda de programação, o programa muda de apresentador, e o cara não vai lá e cisma de mudar os quadros? Então, por que você, dono da sua vida, não pode mudar?
Permita-se a essa aventura... Prefira ser “uma metamorfose ambulante”! Está liberada, a partir de sempre, a mudança de postura, de uma opinião qualquer. Mudar de local, a inércia não faz bem a ninguém. Comece de um pequeno passo, ou pulo. Do pequeno para o maior, do maior para o "marzão" sem tamanho!

Mas mudar não é sinônimo de trocar. Cuidado com os verbos! Trocar pode torná-lo fútil e volúvel demais. Mudar, o faz corajoso. Arrisque. Arrisque-se! Jogue-se de cara vez ou outra. Um corte a mais no rosto não será nada demais – e nem de novo – em sua vida.


                                                    Leonardo Pierre